Iniciação Científica
Participação na Fetec consolida incentivo à pesquisa no IFMS
Com a maior delegação entre as instituições participantes, o Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS) marcou presença na 15ª Feira de Tecnologias, Engenharias e Ciências de Mato Grosso do Sul (Fetec-MS), realizada de 19 a 22 de outubro, em Campo Grande. Foram 84 projetos finalistas e 186 estudantes representando os dez campi — o recorde já registrado pelo Instituto na história do evento.
Entre os projetos apresentados, há ideias que unem tecnologia, acessibilidade e diversidade. São iniciativas desenvolvidas por estudantes que identificam problemas reais e propõem soluções criativas e de baixo custo — exemplo da pesquisa aplicada que caracteriza o ensino no IFMS.
"É muito gratificante mostrar que a pesquisa feita em nossos campi é relevante, inovadora e capaz de transformar a vida das pessoas", aponta o diretor de Pesquisa e Pós Graduação do IFMS, Angelo Lourenço.
A participação expressiva do IFMS reafirma o compromisso institucional com a formação científica de jovens pesquisadores e com a integração entre ciência, tecnologia e comunidade, de acordo com o diretor de Pesquisa e Pós Graduação, Angelo Cesar de Lourenço.
“Investimos de forma contínua em editais, bolsas e infraestrutura para que nossos estudantes e professores possam desenvolver projetos que tenham aplicabilidade real e impacto social. É muito gratificante mostrar que a pesquisa feita em nossos campi é relevante, inovadora e capaz de transformar a vida das pessoas".
Promovida pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), a Fetec é a principal feira científica voltada ao ensino médio no estado e credencia trabalhos para competições nacionais, como a Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace).
Ciência que transforma - Para os estudantes, participar da feira é uma forma de contribuir para a solução de problemas reais da sociedade.
É o caso de Gabriel Felipe Xavier, de 16 anos, do curso técnico em Eletrotécnica do Campus Três Lagoas. Ele desenvolveu, junto com um colega, um dispositivo de baixo custo para auxiliar pessoas com tremores.
“O projeto não visa ao lucro, e sim melhorar a vida de quem precisa. Aprendemos muito sobre pesquisa e vimos como é importante ter dedicação e metodologia para chegar a resultados reais”, conta o estudante Gabriel Xavier.
"O projeto não visa ao lucro, e sim melhorar a vida de quem precisa. Aprendemos muito sobre pesquisa e vimos como é importante ter dedicação e metodologia para chegar a resultados reais”, conta.
O projeto de Gabriel surgiu a partir da observação de um problema cotidiano, que era dificuldade enfrentada por pessoas com tremores nas mãos para realizar tarefas simples, como segurar um copo ou se alimentar sozinhas.
O grupo desenvolveu um dispositivo de suporte, produzido com impressora 3D e cortadora a laser, que estabiliza o movimento e reduz o impacto dos tremores. O equipamento foi pensado para ser acessível, de baixo custo e facilmente reproduzido por outras pessoas.
“Qualquer um pode adaptar o suporte para diferentes utensílios, como talheres ou copos. A ideia é que seja uma tecnologia aberta e útil”, explica o estudante.
Além da parte técnica, o projeto despertou em Gabriel o interesse pela pesquisa como um caminho de formação. “A gente percebe o quanto dá trabalho ser pesquisador, o quanto é preciso ler, testar, revisar. Mas também é muito gratificante ver o resultado e pensar que isso pode ajudar alguém de verdade”.
“Pensamos em algo que ajudasse as pessoas a se movimentarem com mais segurança. A bengala identifica buracos e obstáculos e avisa com uma vibração. É uma forma simples de melhorar a mobilidade e a saúde de quem enfrenta essas dificuldades”, explica a estudante Amanda Miranda.
Já em Naviraí, a estudante Amanda da Silva Miranda, 17 anos, apresenta uma bengala inteligente desenvolvida para auxiliar pessoas com deficiência visual. O equipamento conta com sensores de distância e vibração, que ajudam o usuário a detectar buracos, galhos e placas em seu caminho.
“Pensamos em algo que ajudasse as pessoas a se movimentarem com mais segurança. A bengala identifica buracos e obstáculos e avisa com uma vibração. É uma forma simples de melhorar a mobilidade e a saúde de quem enfrenta essas dificuldades”, explica.
O projeto foi motivado pela percepção de que muitas pessoas com deficiência visual acabam limitando sua rotina por medo de acidentes e falta de dispositivos acessíveis. A equipe pesquisou sensores de baixo custo e desenvolveu um protótipo capaz de identificar obstáculos a uma distância segura, emitindo alertas vibratórios para evitar colisões.
“Queremos que a pessoa tenha confiança para sair de casa, se movimentar e ter uma vida mais ativa. É um ganho de liberdade e de saúde também”, destaca Amanda.
Em Campo Grande, Camille Vitória Menezes da Silva, do curso técnico em Informática, desenvolve uma pesquisa voltada à valorização da cultura negra e à educação antirracista. O projeto resultou na criação de uma cartilha educativa que será lançada durante a Semana da Consciência Negra, em novembro.
“Queremos que o material chegue a professores, estudantes e à comunidade. A ideia é tratar a cultura negra de forma acessível e divertida, com indicações de filmes, livros e reflexões sobre o uso da linguagem no dia a dia”, diz a estudante Camille Silva.
“Queremos que o material chegue a professores, estudantes e à comunidade. A ideia é tratar a cultura negra de forma acessível e divertida, com indicações de filmes, livros e reflexões sobre o uso da linguagem no dia a dia”, diz a estudante.
A cartilha foi elaborada a partir de uma pesquisa sobre representatividade e práticas pedagógicas voltadas à diversidade racial. O conteúdo inclui explicações sobre o conceito de educação antirracista, sugestões de atividades e obras culturais, além de seções chamadas 'Evite e Aposte', que ajudam a substituir expressões racistas ainda comuns no cotidiano.
“Mesmo em um país com tanta diversidade, ainda falta conhecimento sobre o tema. Nosso objetivo é levar essa discussão para dentro e fora da escola, de um jeito que seja acessível e acolhedor”, explica Camille.

Compromisso com a ciência - A consolidação da pesquisa no IFMS é fruto de uma política estruturada pela Pró-Reitoria de Pesquisa, Inovação e Pós-Graduação (Propi), que tem fortalecido a iniciação científica como uma das marcas da instituição. Somente em 2024, o IFMS aprovou 232 projetos, concedeu 4.380 bolsas e beneficiou 365 estudantes, com um investimento total de R$ 1,52 milhão.
"Os resultados demonstram a consolidação de uma política de incentivo que alia investimento, formação e impacto social. A participação recorde na Fetec-MS é expressão desse esforço coletivo, que envolve estudantes, orientadores e gestores ", avalia a reitora Elaine Cassiano.
Entre os editais de destaque estão o Meninas e Mulheres na Pesquisa, que estimula a participação feminina em áreas científicas, e o Edital de Iniciação Científica e Tecnológica, responsável por apoiar 143 projetos neste ano, com recursos próprios e de agências como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Fundect).
O Edital de Apoio à Participação em Eventos Científicos também tem possibilitado que estudantes e servidores apresentem seus trabalhos em encontros nacionais e internacionais, ampliando a visibilidade da pesquisa desenvolvida no IFMS.
"Os resultados demonstram a consolidação de uma política de incentivo que alia investimento, formação e impacto social. A participação recorde na Fetec-MS é expressão desse esforço coletivo, que envolve estudantes, orientadores e gestores comprometidos em fortalecer a cultura científica e a inovação em Mato Grosso do Sul", avalia a reitora do IFMS, Elaine Cassiano.
Mais informações sobre a Fetec-MS estão disponíveis na site oficial do evento.
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