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Elas na Ciência

Evento debate inserção de meninas e mulheres em carreiras científicas

Com transmissão ao vivo, evento debateu razões para a baixa participação de mulheres na ciência e sugeriu caminhos para mudar essa realidade
por Vinicius Vieira publicado: 12/02/2021 09h51 última modificação: 12/02/2021 09h55
  • Eliade Ferreira Lima, da Unipampa, apresentou dados de pesquisas nacionais e internacionais

  • Marcia Ferreira Cristaldo, do IFMS, abordou temas como preconceito e desafios para no mercado de trabalho.

  • Alunas e professoras do IFMS apresentaram projeto que pretende resultar em livro

Apresentando dados de pesquisas locais, nacionais e internacionais que tratam da participação feminina na ciência e tecnologia e das barreiras que prejudicam a equidade de gêneros na área, o evento “Elas na Ciência” propôs maneiras para aumentar a inserção de mulheres nas carreiras científicas.

Transmitido pelo canal do Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS) no YouTube, o evento organizado pela Pró-Reitoria de Pesquisa, Inovação e Graduação (Propi) foi realizado nssa quinta-feira, 11, data em que se comemora o Dia Internacional das Meninas e Mulheres na Ciência.

A professora Eliade Ferreira Lima, da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), apresentou dados de pesquisas realizadas no Brasil, na América Latina e na Europa. Os estudos mostram que meninas apresentam menos interesse em carreiras científicas nas áreas STEAM (sigla em inglês de Science, Technology, Engineering, Arts e Mathematics), especialmente a partir do ensino médio.

“O PISA [Programa Internacional de Avaliação de Estudantes] nos mostra que até os 15 anos o interesse e o desempenho das meninas e dos meninos nas ciências exatas são muito semelhantes. É nessa idade que se evidencia a perda do interesse feminino na área. Dados do Enem na região de São Paulo, por exemplo, mostram que as mulheres têm notas menores em todas as áreas, especialmente nas exatas”, afirmou.

“A solução passa por professores e pais que falem sobre ciência e tecnologia e as incentivem a participar da área, com exemplos de cientistas de sucesso, experiências práticas, aplicação na vida real e confiança na igualdade intelectual”, elencou Eliade Lima.

Entre as razões apresentadas por Eliade para a menor incidência do “pensamento de cientista” em meninas estão a ausência de autoconfiança, a falta de modelos femininos na área e a influência dos estereótipos de gêneros, em especial a forma como as meninas são expostas a eles, que criam questões estruturais na sociedade.

“As meninas conseguem se sair melhor quando repetem o que veem em sala de aula, enquanto os meninos se destacam quando são levados a pensar como cientista: formular situações e interpretar fenômenos. Na ausência de autoconfiança, as meninas não se dão a liberdade de pensar como cientistas, tentar e falhar. Quando elas são igualmente confiantes em suas habilidades, o desempenho é semelhante”, refletiu a professora, citando pesquisas que corroboram a análise.

Eliade acredita que esta realidade pode mudar a partir do estímulo à alfabetização científica, desde o ensino fundamental, em que se mostrem a importância e a aplicabilidade da ciência, tanto para meninos quanto para meninas, e também com ações que fomentem a representatividade feminina na área e que sirvam de modelos às meninas.

“A solução passa por professores e pais que falem sobre ciência e tecnologia e as incentivem a participar da área, com exemplos de cientistas de sucesso, experiências práticas, aplicação da ciência na vida real e confiança na igualdade intelectual”, elencou.

Entre os exemplos de ações práticas citadas por Eliade e que podem ser adotadas estão a realização de projetos de extensão que propiciem o protagonismo feminino nas áreas de ciência e tecnologia, o incentivo a metas que melhorem a representação feminina em cargos de gerência, a criação de políticas de combate ao assédio moral e sexual e o estímulo à participação de mulheres em editais como o “Meninas Digitais”, da Sociedade Brasileira de Computação (SBC), e “Meninas nas Ciências Exatas, Engenharias e Computação”, do CNPq.

O evento contou ainda com a palestra da professora do Campus Aquidauana do IFMS, Marcia Ferreira Cristaldo, em que foram abordados temas como contextualização, preconceitos, mulheres de destaque na tecnologia, e desafios para no mercado de trabalho.

A pró-reitora de Ensino do IFMS, Claudia Fernandes, a professora Marta Luzzi, e 11 estudantes e ex-estudantes do Instituto apresentaram o Grupo NuAr, originalmente criado no Campus Campo Grande, e detalharam o projeto "Ctrl+femme: Histórias de mulheres no mundo da tecnologia", cujo objetivo é a publicação de um livro sobre o tema. O livro também conta com a participação da professora Marcia Ferreira Cristaldo.

Na página "Elas na Ciência" é possível conferir mais informações sobre o tema e depoimentos sobre meninas e mulheres pesquisadoras que atuam no IFMS.

“Mulheres e meninas são essenciais na busca por soluções para os maiores desafios que vivemos. Devem ser ouvidas, valorizadas e celebradas em toda a sociedade. Tudo começa com as mulheres”, pontuou a reitora do IFMS, Elaine Cassiano.

Apoio Institucional – Além das reflexões sobre o tema, o evento marcou o lançamento do edital Meninas e Mulheres na Ciência, destinado ao fomento à participação feminina em projetos de pesquisa por meio da oferta de bolsas de iniciação científica exclusivamente a alunas matriculadas no IFMS.

Segundo o pró-reitor de Pesquisa, Inovação e Pós-Graduação, Danilo Sá Teles, o edital busca promover a equidade entre meninos e meninas e contribuir para o acesso, a permanência e o êxito das estudantes.

"A pretensão do edital é diminuir a assimetria de gênero entre alunos e alunas bolsistas no IFMS. A partir da sua implementação, contribuímos para ampliar e pavimentar a ampla avenida já trilhada por cidadãs ávidas por entender e propor soluções aos grandes problemas brasileiros”.

A reitora, Elaine Cassiano, destacou que tanto o edital quanto a realização do evento estão alinhados à missão e aos princípios do IFMS, que estão relacionados com a oportunidade a todos, independentemente do gênero.

“Construir um futuro sustentável para todos significa não deixar ninguém para trás. Quando dissemos ninguém, é ninguém. Mulheres e meninas são essenciais na busca por soluções para os maiores desafios que vivemos. Devem ser ouvidas, valorizadas e celebradas em toda a sociedade. Tudo começa com as mulheres”, pontuou.

O edital Meninas e Mulheres na Ciência, que está publicado na Central de Seleção do IFMS, destina o valor global de R$ 57 mil ao financiamento de projetos de pesquisa com a participação de alunas da instituição, sendo R$ 9 mil para aquisição de itens de custeio e R$ 48 mil para o pagamento de bolsas de pesquisa.

As propostas deverão ser submetidas pelos coordenadores entre os dias 19 de fevereiro e 7 de março.