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Inclusão

Projeto centraliza conteúdos digitais para surdos

Desenvolvido como TCC de estudante do Campus Campo Grande, Surdo Flix propõe trazer amplo leque de assuntos em Libras
por Vinicius Vieira publicado: 03/05/2021 10h51 última modificação: 04/05/2021 07h37

 

Christian apresentou TCC do projeto Surdo Flix na sexta-feira, 30 - Foto: Napne/Campus Campo Grande

Desenvolver um canal de divulgação para que pessoas surdas possam acessar conteúdos digitais produzidos por e para quem tem deficiência auditiva. Foi a partir desta ideia que o estudante Christian Fernando Costa, do Campus Campo Grande do Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS), criou o Surdo Flix.

O canal, ainda não disponível para acesso de todos, irá oferecer ao usuário a possibilidade de encontrar um amplo leque de assuntos em Libras nas categorias Educação, Culinária, Curso de Libras, Maquiagem, Entretenimento, Eventos, Música, Filmes e Série, entre outras.

“A inspiração é a falta de acessibilidade na internet para as pessoas com surdez. A intenção é ajudar a comunidade surda com um site que divulga conteúdos em Libras”, revela o estudante Christian Costa.

“A inspiração é a falta de acessibilidade na internet para as pessoas com surdez, usuárias de Libras. A intenção é ajudar a comunidade surda com um site que divulga conteúdos na Língua Brasileira de Sinais”, revela Christian, 26, que desenvolveu o Surdo Flix como trabalho de conclusão do curso superior de tecnologia em Sistemas para Internet, apresentado na sexta, 30.

Com 5% da população brasileira sofrendo algum problema relacionado a surdez, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a iniciativa de Christian se soma a outras que ajudam a centralizar conteúdos produzidos por jovens surdos em todo país, que buscam a inclusão também em temas e assuntos comuns à juventude

Orientado pela professora Celeny Alves, com coorientação do professor Márcio Osshiro, o projeto contou com a participação de vários servidores do campus tanto para o desenvolvimento da programação do site quanto para a definição das categorias de conteúdos que iriam ser disponibilizadas.

“As postagens do Surdo Flix contêm título e links para redes sociais da pessoa surda criadora do conteúdo: Youtube, Facebook e Instagram. O usuário irá acessar conteúdos nas redes sociais da própria pessoa”, explica Celeny.

Formação - A orientadora destaca que a trajetória acadêmica de Christian - que representou um grande desafio para professores e técnicos-administrativos do campus, devido às adaptações metodológicas necessárias -, é hoje motivo de orgulho para a comunidade acadêmica.

“Sempre comunicativo com todos da sala de aula, Christian cursou as disciplinas se dedicando às atividades, mesmo com suas dificuldades físicas e de comunicação”, relata a orientadora Celeny Alves.

“O Christian é um grande exemplo de dedicação, força de vontade e alegria. Sempre comunicativo com todos da sala de aula, geralmente era um dos primeiros alunos a chegar, cursou as disciplinas se dedicando às atividades, mesmo com suas dificuldades físicas e de comunicação”, relata.

Para Christian, que tem paralisia cerebral e surdez, a experiência no IFMS e o Surdo Flix são alguns dos vários projetos que ele ainda pretende desenvolver para contribuir com a inclusão da comunidade surda.

“Aqui [no IFMS] adquiri conhecimento na área da programação, tive experiência com as aulas, contatos com professores e colegas, e assim fui me desenvolvendo. Após me formar, em julho, quero trabalhar para ajudar os surdos, uma possibilidade, inclusive, é continuar com o projeto Surdo Flix”, afirma.

Libras - Reconhecida e oficializada em 2002, pela Lei 10.436, a Língua Brasileira de Sinais é a forma de comunicação e expressão, com estrutura gramatical própria, que constitui a língua de pessoas surdas do Brasil.

Segundo a legislação, é dever das instituições públicas apoiar o uso e difusão da Libras como meio de comunicação objetiva e de utilização corrente das comunidades surdas.

No IFMS, as iniciativas relacionadas à inclusão de estudantes com algum tipo de deficiência são coordenadas e acompanhadas pelos Núcleos de Atendimento às Pessoas com Necessidades Educacionais Específicas (Napnes).