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Aquidauana

Projeto busca valorizar cultura e língua indígenas na internet

Iniciativa desenvolvida pelo IFMS prevê a produção de conteúdo na língua terena e, recentemente, foi apresentado em evento promovido pela Unesco
por Cleyton Lutz publicado: 31/10/2019 18h21 última modificação: 05/11/2019 16h20
  • Foram promovidas oficinas de audiovisual junto à população Terena

  • Vídeos, com conteúdo na língua terena, serão disponibilizados na internet

  • Gracieth, uma das orientadoras do projeto, participou de evento promovido pela Unesco

A valorização da etnia Terena é o tema central de um projeto desenvolvido no Campus Aquidauana do Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS) e apresentando no Festival Latinoamericano de Línguas Indígenas para Internet 2019, evento realizado pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) em Antígua, na Guatemala.

Os resultados da iniciativa que busca valorizar aspectos da cultura, arte, literatura, costumes e história dos terena foram apresentados no evento internacional entre os dias 22 e 24 de outubro pela professora de Informática do IFMS, Gracieth Valenzuela, uma das orientadoras do projeto. A participação da docente foi custeada pela Unesco.

Intitulado “Projeto Terena: cultura e língua indígena na internet” e também orientado pela professora de Português/Espanhol, Aline Araujo, o projeto originou-se no trabalho de conclusão de curso de Wilson Huanca, que concluiu o curso técnico em Informática no Campus Aquidauana do IFMS em julho deste ano. Durante as pesquisas, o jovem - que pertence à etnia terena - estudou o acesso à internet nas aldeias indígenas Morrinho e Lagoinha.

A partir da aplicação de questionários, o trabalho apontou o baixo acesso à internet nas duas aldeias estudadas. “O pouco acesso se dá porque os moradores não têm conteúdo para eles, em língua terena”, explica Gracieth.

Com base nesse resultado, o projeto passou a ter como objetivo a produção de conteúdo pela população indígena (professores e estudantes) em língua terena e a disponibilização do material produzido na internet, buscando a divulgação linguística e a troca cultural. Dessa forma, os terenas poderão compartilhar a cultura e o idioma, utilizando a internet como ferramenta, além de terem contato com outras culturas.

O estudo é baseado em dados da própria Unesco. Um deles estima que no ano de 2100, apenas 10% das 7 mil línguas existentes atualmente no mundo continuarão existindo. O povo terena tem uma população estimada em 25 mil pessoas e se concentra principalmente em Mato Grosso do Sul. A língua faz parte da família Aruaque, falada por populações ameríndias da América do Sul e Mar do Caribe. 

Projeto Terena
Projeto visa valorizar cultura e memória do povo terena por meio de registros em vídeo

Projeto – A primeira atividade foi uma oficina de audiovisual com duração de quatro dias, realizada em setembro. Ministrada por Túlio Fernandes, integrante do Coletivo Digital de São Paulo, a oficina teve a participação de 18 professores da região, principalmente da Escola Municipal Indígena Polo Marcolino Lili, localizada na aldeia Lagoinha. 

“Os terenas aprenderam a manusear os equipamentos e as técnicas de filmagem, e gravaram depoimentos de anciões da aldeia, como forma de registro da memória deles, relatando conhecimentos dos ancestrais”, explica Gracieth Valenzuela, uma das coordenadoras do projeto.

“Eles aprenderam a manusear os equipamentos e as técnicas de filmagem, e gravaram depoimentos de anciões da aldeia, como forma de registro da memória deles, relatando conhecimentos dos ancestrais. Atualmente, estamos trabalhando na edição dos vídeos”, informa a professora. 

As atividades da oficina contaram com o apoio técnico dos demais integrantes do projeto: Leonardo Amaral, graduando do Instituto Federal de São Paulo (IFSP); Ygo Brito, professor do IFMS; Eduardo Feitosa, da Universidade Federal do Amazonas (UFAM); do antropólogo Boris Magalhães, professor da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS); além de Huanca.

O projeto prevê outras ações como adição de legendas e disponibilização dos vídeos em um canal online e nas redes sociais, além da criação de uma página de internet. Também estão previstas sessões de cinema itinerante que levarão os vídeos às aldeias. 

Projeto Terena
Oficina foi ministrada por Túlio Fernandes, que integra o Coletivo Digital de São Paulo

Apoio – O projeto é desenvolvido com o apoio da Sociedade da Internet (Internet Society na sigla em inglês), associação civil de direito privado voltada ao desenvolvimento da internet e demais tecnologias relacionadas. Além de apoio técnico, foram concedidos cerca de R$ 8 mil para a realização das ações.

A iniciativa representará o Brasil no evento internacional da associação, que ocorrerá online no dia 15 de novembro. Na oportunidade será disponibilizado um vídeo de três minutos contando a experiência do projeto.